Voltar ao site SBF Prime Contabilidade Falar no WhatsApp
Blog SBF Prime

Split Payment: como o novo modelo de recolhimento vai mudar seu fluxo de caixa

23 de setembro de 2026

Split Payment: como o novo modelo de recolhimento vai mudar seu fluxo de caixa

No primeiro artigo da série citamos rapidamente o split payment e avisamos: "prepare-se, mas sem urgência ainda". Vale entender esse mecanismo com calma, porque ele é, na prática, a mudança mais sentida no caixa de qualquer empresa.

O que é o split payment, sem economês

Hoje, quando você recebe de um cliente, o dinheiro cai inteiro na sua conta e você recolhe o imposto depois, seguindo o calendário fiscal. O split payment muda essa lógica: no momento do pagamento, o valor do imposto é automaticamente separado e direcionado para os cofres públicos (federal, estadual e municipal) antes mesmo de o restante chegar à sua conta.

Quando isso passa a valer

PeríodoSituação do split payment
2026Não se aplica (fase de testes do IBS e da CBS)
2027Opcional: as empresas continuam podendo usar a guia mensal tradicional
2028 em dianteObrigatório, com implantação gradual conforme os meios de pagamento forem se adaptando

A obrigatoriedade, que estava prevista para 2027, foi adiada para 2028 pela Receita Federal, com confirmação no fim de agosto de 2026. A justificativa é que mais de 200 instituições de pagamento ainda precisam adaptar seus sistemas. Segundo o subsecretário de Gestão Corporativa da Receita, Juliano Neves, "ninguém vai ser obrigado enquanto não estiver disponível para todos os meios de pagamento". A implantação deve começar por transferências eletrônicas e evoluir depois para o Pix.

O MEI, que recolhe um valor fixo no DAS-MEI, não entra na obrigatoriedade.

O lado bom: crédito liberado muito mais rápido

Hoje, recuperar créditos tributários pode levar bastante tempo. Com o split payment operando, a expectativa é que essa liberação caia para poucas horas, já que o próprio sistema concilia o imposto no momento da transação. A cisão automática do imposto também tende a reduzir a fraude fiscal.

O lado que exige planejamento: menos "sobra" de caixa

Aqui está o ponto de atenção real. Muitas empresas usam, mesmo sem perceber, o intervalo entre receber do cliente e recolher o imposto como uma espécie de capital de giro informal. Com o split payment, esse dinheiro simplesmente deixa de "passar" pela sua conta e vai direto para o imposto. Isso é ótimo para reduzir o risco de inadimplência fiscal, mas pode apertar quem depende desse fluxo para pagar fornecedores, folha ou financiar a operação no curto prazo.

O que fazer entre agora e 2028

  1. Recalcule o seu fluxo de caixa "sem o float do imposto". Simule como ficaria o mês se o valor do tributo nunca tivesse passado pela sua conta corrente.
  2. Revise as linhas de capital de giro disponíveis. Pode valer negociar uma linha de crédito ou aumentar a reserva antes da obrigatoriedade, e não durante.
  3. Acompanhe se o seu meio de recebimento preferido (maquininha, Pix, boleto) já está no cronograma de adaptação. A implantação é gradual, e isso pode dar mais tempo de ajuste conforme o meio que você mais usa.

No último artigo da série, o lado operacional: como evitar erros de NCM e cClassTrib na nota fiscal.

Quer simular o impacto do split payment no seu caixa? A SBF Contabilidade monta uma projeção com base no seu faturamento e no prazo médio de recebimento atual. Fale com a equipe pelo botão de WhatsApp no fim da página.

Fontes consultadas: IstoÉ Dinheiro (istoedinheiro.com.br), e-Auditoria e Contábeis (contabeis.com.br).

Falar com um especialista